Para atingir a soberania digital e o domínio da IA, o Brasil precisa ter os seus próprios Data Centers. Mas por trás dessas estruturas, há massivos efeitos ambientais e interesses geopolíticos em jogo, principalmente dos Estados Unidos.
No último episódio da série especial “Soberania Digital”, do Projeto Brasil, a engenheira mecânica e pesquisadora Camila Modanez, do GEPS, explica que os data centers são infraestruturas físicas essenciais para o processamento e armazenamento de dados digitais, aponta a importância para o Brasil e os massivos efeitos ambientais e interesses geopolíticos por trás dessas estruturas, principalmente dos Estados Unidos, em jogo.
A pesquisadora analisa o cenário geopolítico, com o interesse dos EUA na energia excedente de Itaipu para instalação de data centers. O país tem o objetivo de utilizar o excedente energético da usina hidrelétrica de Itaipu, que antes era vendido ao Brasil e cujo contrato com o Paraguai já terminou, para a instação de data centers no Brasil.
Segundo Isabela Rocha, caso se concretize, a medida permitiria que os Estados Unidos se isente de arcar com os “fatores nocivos” e os impactos ambientais que esses empreendimentos geram nos territórios, como a demanda de um volume “gigantesco” de energia e água, além do calor residual, que pode impactar ecossistemas locais e sobrecarregar infraestruturas urbanas.
Para a pesquisadora convidada, colocar esses data centers no “quintal do outro” facilita o usufruto do diferencial de energia limpa, valorizando o negócio e aliviando a responsabilidade ambiental nos EUA.
Na conversa, Modanez também propôs soluções ecológicas, onde o país pode adotar uma série de estratégias que conciliam o desenvolvimento da infraestrutura digital com a sustentabilidade ambiental e social. Em artigo recente ao Projeto Brasil, as pesquisadoras apontaram como isso seria possível, leia aqui.
Em resumo, elas afirmaram a necessidade de regulamentação, com índices de eficiência com um bom custo-benefício e com preocupação ambiental; o reaproveitamento do calor residual gerado pelos data centers, com o reuso para aquecimento urbano ou industrial de empresas e indústrias daquele território; e a importância da vontade política para conciliar desenvolvimento tecnológico com a preservação ambiental.
A série “Soberania Digital” na TV GGN é uma iniciativa do Projeto Brasil, que convidou a pesquisadora Isabela Rocha para aprofundar as problemáticas, desafios e necessidades do Brasil como nação se posicionar de maneira soberana, e, assim, garantir os direitos já consolidados no país em meio à disputa de poder de grandes multinacionais digitais, as Big Techs.
O tema está sendo debatido na plataforma. Leia e participe aqui!
Paulo Dantas
22 de agosto de 2025 8:45 pmNo nosso país , nossa regulação.
Regras, impostos etc.
Só falta vergonha na cara.